Eros e Psique
- narjarathamiz
- 8 de fev.
- 2 min de leitura
Atualizado: 8 de mar.

"Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.
Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.
A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.
Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.
Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.
E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora.
E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A princesa que dormia.” Fernando Pessoa

Ao ler este belo poema de Fernando Pessoa, sou tocada pela beleza do reencontro com nossa própria alma (Psique) através da força e coragem do amor (Eros). É uma jornada íntima e profunda, onde nos descobrimos, nos curamos e nos libertamos pelo poder transformador do amor.
A união entre o Infante (Eros – o amor) e a Princesa (Psique – a alma) nos revela uma verdade essencial: o amor que busca e a alma que espera são, em última instância, um só. Somos tanto o viajante quanto o destino, tanto o que anseia quanto aquilo que é ansiado. Nossa alma é amor e o amor é nossa alma.

Mas, ao longo da vida, nos afastamos de nós mesmos. A alma adormece, como a princesa encantada do poema. E, no entanto, sem ela, não podemos viver plenamente. O amor, então, inicia sua busca incansável – uma jornada heróica pelas paisagens da consciência, onde enfrenta sombras e ilusões, desafia monstros internos e atravessa os véus do esquecimento. Só assim pode resgatá-la do sono profundo e trazê-la de volta à vida.
E quando esse reencontro acontece, é pura magia. Como um despertar depois de um longo inverno, como um primeiro fôlego ao emergir das águas. De repente, tornamo-nos inteiros outra vez. O coração se abre, a vida ganha cor, e tudo faz sentido. O amor nos reconduz à nossa essência, expandindo nossa capacidade de amar e nos devolvendo a liberdade de sermos quem verdadeiramente somos.
Que possamos, então, permitir esse reencontro. Que possamos ouvir o chamado do coração e permitir que o amor, seja como ele se manifeste, atravesse nossos próprios caminhos encantados para que, enfim, despertemos de volta para a vida.
Com amor, desejo a vocês o mais belo reencontro entre Eros e Psique!
Namaste!
Narjara Thamiz
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